Reflexão da Palavra | 6º Domingo da Páscoa – Ano B


Por: Quininha Fernandes Pinto, Cebs Regional Leste 1

Leituras: At 10,25-26.34-35.44-48 – Sl 97 – 1Jo 4,7-10 – Jo 15,9-17

As leituras deste domingo nos fazem refletir sobre o amor de Deus, um amor que não faz acepção de pessoas, que ama no respeita às diferenças. Na 1ª leitura dos Atos dos Apóstolos, Pedro visita Cornélio, que o havia chamado para conhecer melhor a fé cristã, e assim, é dado um grande passo em direção aos pagãos. Lucas quer nos mostrar que a iniciativa de Paulo, ao pregar o Evangelho aos judeus de língua grega e aos pagãos, teve apoio dos apóstolos e do próprio Pedro que mandou que fossem batizados todos em nome de Jesus Cristo.

A expressão “Deus é amor” não é uma definição filosófica. É uma expressão pequena para dizer do grande e exagerado amor de Deus por nós. Uma amor que se faz presença e presente na realidade humana. Um amor que se materializa da doação de Cristo por nós – amor é dom – e no amor que devemos praticar com os outros filhos de Deus, nossos irmãos – amor é tarefa/missão – sendo que o primeiro é fundamento do segundo. Amor/amar, portanto, é fazer circular um amor recebido que não pode instalar-se “em mim” mas que deve avançar na “direção do Outro”. O amor do Pai por nós, revelado e manifestado no Cristo/Filho, nos tornou seus amigos, a ponto de nos enviar para que “esse amor” produza frutos. Jesus nos revelou tudo aquilo que Ele mesmo ouviu do Pai, e o envio à frutificação desse amor é uma participação de sua missão. E porque esse tipo de amor é o maior? A comparação sugere que existem outros amores, menores. É o maior, porque ele não é condicionado por outra coisa, por privilégios, proveitos, compensações, recompensas… É o maior porque é gratuito e, nesta gratuidade, vai até o limite: a doação total e gratuita de si mesmo em favor do amado.

Neste sentido, o amor de Deus toma a iniciativa e vai à procura de todos/as quantos possam ser amados. Procurando amar a todos/as, ama com predileção e isso é possível pois Ele não conhece limites. Não ama “em geral”; ama a cada um, a cada uma, como amigo/a. O que realmente quer é congregar todos nós, seus filhos e filhas num mesmo amor pessoal. Amor é comunhão! Não vem de um lado só, nem numa única direção.

Que esta experiência do amor de Deus possibilite uma abertura maior ao nosso coração para deixar entrar o amor ao diferente, aos não-cristãos, aos irmãos de religiões de matriz africana, aos povos originários, aos que não se enquadram na heteronormatividade sexual, aos irmãos e irmãs negros tão afetados pelo racismo! Que o amor supere todas estas divisões.