Reflexão da Palavra | Domingo de Ramos da Paixão do Senhor


Por: Quininha Fernandes Pinto, Cebs Regional Leste 1

Leituras: Is 50,4-7 – Sl 21 – Fl 2,6-11 – Mc 14,1-15,47

A oferta de sacrifícios a Deus parece constituir, em todos os povos, a expressão mais significativa do senso religioso do ser humano. Este reconhece que o que lhe pertence por conquista ou pelo trabalho, chegou até ele por bondade de Deus, e lhe restitui em agradecimento. Mas os profetas lembram frequentemente que Deus só aceita as ofertas e sacrifícios se são acompanhados de uma atitude interior de humildade, de oferta espiritual de si mesmo, de reconhecimento da própria e radical pobreza e da necessidade de uma libertação que nós sozinhos não podemos obter, mas podemos invocar e esperar de Deus.

Na encarnação, Jesus fez sua a pobreza radical do ser humano, a nossa pobreza, diante de Deus. A 2ª leitura de filipenses nos fala disto: do aniquilamento do Filho de Deus. Ele não teve medo e, como verdadeiro Servo sofredor, viveu a experiência humana até a morte. Deus recompensou sua fidelidade, glorificou-o e o fez Senhor. Não se subtraiu à condição humana pecadora, ao sofrimento que provém do egoísmo, nem aos limites da nossa natureza, entre os quais, a morte. Foi um homem como todos, um pobre em poder de todos, e isto o objetivo evangelho de Marcos nos mostra hoje. Vemo-lo como uma vítima da intolerância e da injustiça, do poder político e religioso do seu tempo.

Mas isto não bastaria para fazer dele um salvador! O que resgata a sua morte, o que a transfigura – para ele e para nós – é o imenso peso de amor com que faz dom de sua vida! Esse amor liberta-nos da violência e do ódio, do fanatismo e do medo, do orgulho e da autossuficiência. Isso para nos tornar como Ele: disponíveis a Deus e aos irmãos, capazes de amar e perdoar, de ter confiança e reconstruir o que foi destruído, de ultrapassar as barreiras do pecado e da morte! Este é o sentido salvífico da sua morte!

* Só assim, irmanados neste projeto, tem sentido aclamar com ramos este Jesus que morre para nos dizer que o amor é mais forte que a morte!

* Só assim entendemos a proposta da Amizade Social da CF 2024 – amar para além das fronteiras geográficas, étnicas, políticas, de gênero e culturais!

* Só assim podemos dizer que seguimos este Jesus-Rei, cujo amor por toda humanidade – seus irmãos e irmãs – levou-o ao “trono” da Cruz, com uma “coroa” de espinhos!

* Só assim, vislumbrando todo amor contido neste gesto entenderemos as perseguições, as calúnias, as deturpações de sua mensagem, o sentido do seu reinado e do seu poder-serviço.

* Só assim entenderemos que os que querem segui-lo não devem esperar caminhos fáceis, gloriosos, muitas vezes apresentados com muita pompa litúrgica, muitas galhardias, escondendo a superficialidade e a nossa omissão diante do que é celebrado.

* Só assim alcançaremos o verdadeiro sentido da Páscoa!

Pensemos nisso!